O texto de Damázio e Ferreira
traz uma discussão da educação escolar de pessoas com surdez entre a abordagem gestual
e oralista ambas vistas nesse contexto como um embate político e epistemológico com relação às pessoas com Sudez.
Nessa
direção o texto mostra que o fracasso de uma educação para pessoas surdas ainda
está muito fortemente ligado às práticas pedagógicas e sob essa visão o
potencial das pessoas com surdez é de certa forma excluído e desvalorizado. Daí
é preciso dizer que centrar o problema da educação de pessoas com surdez em uma
única língua é não valorizar as pontecialidades que essas pessoas têm para seu
desenvolvimento. E isso está ligado à qualidade das práticas pedagógicas que se
não forem adequadas podem de maneira drástica levar ao fracasso no
ensino/aprendizagem. Para tanto, os autores fazem uma ponte ente a LIBRAS e a
Língua Portuguesa, colocando no contexto das práticas pedagógicas suas
variantes de uso padrão, ensinadas no âmbito escolar, levando em consideração seus
componentes gerais.
No que
diz respeito à bilíngüe, são destacadas algumas questões que se fazem
necessárias à análise nesse contexto, de acordo com Damázio e Ferreira que
dizem (2010, p. 50 e 51).
Sob
a ótica bilíngue, percebemos que muitas questões se colocam, tais como: que a
proficiência em duas línguas ainda parece uma ilusão, pois ainda se pensa na
subordinação de uma língua a outra - L1 x L2; há uma visão educacional
priorizando a língua de sinais; prega-se uma hierarquia nos usos da língua,
como se pudesse ser definido a priori; o bilinguismo, muitas vezes, dá lugar ao
bimodalismo; não se leva em conta à abordagem bilíngue. [...]. É importante
frisar que a perspectiva inclusiva rompe fronteiras, territórios, quebra
preconceitos e procura dar ao ser humano com surdez, amplas possibilidades
sociais e educacionais.
Dessa
forma, percebe-se que a abordagem bilingue traz consigo a possibilidade de
fazer com que as pessoas com surdez se deseonlvam dento dos processos
educacionais disponíveis numa perspectiva de aprendizagem inclusora.
Objetivando
a garantia como direito de uma educação que garanta a formação da pessoa com surdez,
em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa, preferencialmente
na sua modalidade escrita, constituam línguas de instrução é que o bilinguismo foi legitimado e aplicado através do dispositivos legais do
Decreto 5.626 de 5 de dezembro de 2005, tendo em vista que esse direito garante
o acesso às duas línguas de forma
simultânea no ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de todo o
processo educativo. Nessa direção não
se pode dizer que a língua de sinais é uma garantia de aprendizagem, pois é
preciso levar em conta o ambiente em que a
pessoa estar inserida, em especial, o da escola comum, uma vez que não lhe
oferece condições para que se estabeleçam mediações simbólicas com o meio
físico e social. É preciso que o ambiente para esse tipo de aprendizagem
possibilite ao educando o desenvolvimento do seu potencial humano.
O texto
mostrar que AEE PS traz metodologia vivencial, que possibilita ao aluno uma aprendizagem
significativa. Nesse sentido, o professor do AEE PS, tem a oportunidade de
construir seu espaço pedagógico para esse aluno, buscando métodos e estratégias
de ensino especializado. Logo, a organização didática pedagógica do AEE PS é feita com base na formação
do professor e do diagnóstico inicial do aluno com surdez em seguida, o
professor elabora o plano AEE PS, envolvendo três momentos
didático-pedagógicos: Atendimento Educacional Especializado em Libras;
Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa
escrita; e o atendimento educacional especializado para o ensino de Libras.
Segundo
Damázio e Ferreira (2010) a exigência
do aprendizado da Língua Portuguesa pelo aluno com surdez no mesmo tempo e
ritmo que os ouvintes,os conteúdos ministrados em língua oral ou só por meio da
interpretação de Libras, intérprete de Libras fixo na classe comum,
professor do AEE PS, sem qualificação para atuar no ensino das duas línguas,
podem ser considerados empecilhos que levam as pessoas com surdez ao fracasso. Assim,
os autores apresentam três momentos para o trabalho de AEE PS: Atendimento
Educacional Especializado em LIBRAS (diariamente, em horário contrário aos da
aula comum); Atendimento Educacional Especializado para o ENSINO DA LÍNGUA
PORTUGUESA( português escrita, considerada a segunda língua para as PS que
acontece na sala de aula multifuncional e em horário diferente ao da sala de
aula comum) e o Atendimento Educacional Especializado para o ensino DE LIBRAS(
o ensino da Língua de Sinais Brasileira (LIBRAS) realizado preferencialmente
por profissionais com surdez).
Entretanto
é preciso entender que o estudo de Libras e Língua
Portuguesa escrita não deve ser um complemento, mas uma garantia da inclusão
dessa abordagem em escolas comuns possibilitando as pessoas com surdez o
desenvolvimento de suas potencialidades.
REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA
DAMÁZIO,
Mirlene Ferreira Macedo & FERREIRA, P. J. de. . Educação Escolar da Pessoa com Surdez: Atendimento Educacional
Especializado em Construção. 2010. Mimeo.
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