O texto aqui
apresentado busca demonstrar as diferenças entre surdocegueira e Deficiências Múltiplas-
DMU e quais semelhanças nas estratégias de ensino. Atrelando para isso quais
ações são utilizadas no processo de comunicação de pessoas com essa
deficiência.
Atentando para
o conceito apontado por Bosco, Mesquita e Maia (2010, apud Lagati, 1995, p. 306), a “Surdocegueira é uma condição que
apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pela cegueira e pela
surdez”. Assim, esta pode ser definida como a perda total ou parcial de audição
e visão que aconteceu simultaneamente, sendo como uma deficiência única em que
o indivíduo perde esses dois sentidos com limitações específicas. Logo, a
surdocegueira apresenta-se como algo congênito, isto é, a pessoa já nasce com
ela ou pode ser adquirida precocemente e não é considerada uma deficiência múltipla.
De acordo com Bosco,
Mesquita e Maia (2010, p. 8 apud Mc
Innes, 1999,) os “indivíduos com surdocegueira demonstram dificuldades em
observar, compreender e imitar o comportamento de membros da família e de
outros com os quais entre em contato, devido às combinações das perdas visuais
e auditivas que apresentam”.
Dessa forma, a
dependência do surdocego aos outros é total, quer para a ceder a objetos e a
pessoas, quer para obter ajuda quanto à organização e à compreensão da
informação acerca do meio que o rodeia, com o objetivo de se relacionar com o
mundo, quebrando assim o isolamento. Daí é preciso incentivar a pessoa com essa
deficiência no uso de sua visão e audição, pois é preciso mediar essas
informações do meio em que estar inserida e sua forma de adaptação.
Para tanto, a
pessoa surdocego tem pouca habilidade com relação a antecipar eventos futuros do
ambiente em que se encontra, por isso, durante o processo de comunicação o
interlocutor tem a função de antecipar o que vai acontecer estimular a pessoa
para se comunicar e explorar o ambiente. Conforme, Bosco, Mesquita e Maia (2010)
se uma comunicação efetiva não for estabelecida na infância, a pessoa pode
crescer e tornar-se um jovem ou adulto com comportamentos inadequados para se
comunicar.
No caso da deficiência
múltipla, a pessoa só é considerada como tal se portar mais de uma deficiência
associada. “É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de
pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou
menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social” (BOSCO,
MESQUITA & MAIA, 2010, apud MEC/SEESP,
2002).
Dessa forma, a
deficiência múltipla é a ocorrência de duas ou mais deficiências
simultaneamente – sejam deficiências intelectuais, físicas ou ambas combinadas.
Não existem estudos que comprovem quais são as mais recorrentes. No entanto as
causas podem ser pré-natais, por má formação congênita e por infecções virais
como rubéola ou doenças sexualmente transmissíveis, que também podem causar
deficiência múltipla em indivíduos adultos, se não tratadas.
Para
compreender melhor as pessoas com MDU, faz-se necessário entender dois aspectos
importantes: à comunicação e o posicionamento. No que tange a comunicação, o
mediador será responsável por ampliar o conhecimento do mundo em que a pessoa
com essa deficiência estar inserida, visando proporcionar autonomia e
independência. Quanto ao posicionamento é indispensável uma boa postura da
pessoa com DMU para que possa fazer uso de gestos ou movimentos com os quais
tenha a intenção de comunicar-se e desfrutar das atividades propostas (BOSCO,
MESQUITA & MAIA, 2010).
Para tanto, é
preciso destacar as necessidades específicas das pessoas com surdocegueira e
com DMU transpondo o que os autores destacam que o corpo é a realidade imediata
do ser humano e que a partir dele, o homem descobre o mundo e a si mesmo.
Assim, todo desempenho exercido trará para as pessoas com essas deficiências sua
auto percepção e a percepção do mundo exterior, buscando sua verticalidade, o equilíbrio
postural, a articulação e a harmonização de SUS movimentos, assim como, a
autonomia em deslocamentos e movimentos aperfeiçoando suas coordenações motoras
e desenvolvimento muscular. Nessa direção, as pessoas surdocego e com MDU, que
não apresentam graves problemas motores, precisam aprender a usar as duas mãos.
Isso para servir como tentativa de minorar as eventuais estereotípicas motoras
e pela necessidade do uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema estruturado
de comunicação.
É importante
destacar que todo trabalho com o aluno com deficiência múltipla e com
surdocegueira implica em constante interação com o meio ambiente e a
organização desses meios de interação com o mundo deve fazer parte do Plano de
AEE.
Entretanto, na
escola comum o papel do professor nesse processo de inclusão deve ser de
acolhedor levando o aluno a sentir-se real e único diante de tais deficiências
e no caso dos espaços escolares e sua organização precisam refletir a vontade
de incluir, não só na construção de rampas, banheiros acessíveis, sinalização e
alargamento de corredores, mas com posturas pedagógicas que incentivem a livre
circulação de todos os alunos e, especialmente, das pessoas com deficiência.
Existem alguns recursos para a aprendizagem de alunos com surdocegueira e
Deficiências Múltiplas, dentre os quais podem ser citados: Objetos de referência,
caixas de antecipação e calendários. Os objetos de referência são aqueles que
têm significado especiais para os alunos, os quais substituem a palavra e que
podem representar pessoas, objetos, lugares, atividades ou conceitos associados
a eles. As caixas de antecipação permite conhecer os primeiros objetos de
referência que anteciparão as atividades e o conhecimento das primeiras
palavras. E os calendários são instrumentos que favorecem o desenvolvimento da
noção de tempo e que ajudam os alunos a estabelecer e compreender rotinas.
Além de todos
os aspectos citados existem ainda o deslocamento em trajetos curtos e longos,
em ambiente escolar e na sala de recursos multifuncionais e o papel do
professor especializado e a interface do AEE na escola comum.
Assim, a
interface do professor do AEE com a escola comum visa a compartilhar
informações, orientações e a realizar a avaliação conjunta das necessidades do
aluno e das adequações específicas para os alunos com surdocegueira e com deficiência
múltipla.
Referência bibliográfica
BOSCO,
Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea
UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo
05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010).