terça-feira, 18 de março de 2014

Educação Escolar de Pessoas com Surdez Atendimento Educacional Especializado em Construção



O texto de Damázio e Ferreira traz uma discussão da educação escolar de pessoas com surdez entre a abordagem gestual e oralista ambas vistas nesse contexto como um embate político e epistemológico com relação às pessoas com Sudez.
Nessa direção o texto mostra que o fracasso de uma educação para pessoas surdas ainda está muito fortemente ligado às práticas pedagógicas e sob essa visão o potencial das pessoas com surdez é de certa forma excluído e desvalorizado. Daí é preciso dizer que centrar o problema da educação de pessoas com surdez em uma única língua é não valorizar as pontecialidades que essas pessoas têm para seu desenvolvimento. E isso está ligado à qualidade das práticas pedagógicas que se não forem adequadas podem de maneira drástica levar ao fracasso no ensino/aprendizagem. Para tanto, os autores fazem uma ponte ente a LIBRAS e a Língua Portuguesa, colocando no contexto das práticas pedagógicas suas variantes de uso padrão, ensinadas no âmbito escolar, levando em consideração seus componentes gerais.
No que diz respeito à bilíngüe, são destacadas algumas questões que se fazem necessárias à análise nesse contexto, de acordo com Damázio e Ferreira que dizem (2010, p. 50 e 51).

Sob a ótica bilíngue, percebemos que muitas questões se colocam, tais como: que a proficiência em duas línguas ainda parece uma ilusão, pois ainda se pensa na subordinação de uma língua a outra - L1 x L2; há uma visão educacional priorizando a língua de sinais; prega-se uma hierarquia nos usos da língua, como se pudesse ser definido a priori; o bilinguismo, muitas vezes, dá lugar ao bimodalismo; não se leva em conta à abordagem bilíngue. [...]. É importante frisar que a perspectiva inclusiva rompe fronteiras, territórios, quebra preconceitos e procura dar ao ser humano com surdez, amplas possibilidades sociais e educacionais. 


Dessa forma, percebe-se que a abordagem bilingue traz consigo a possibilidade de fazer com que as pessoas com surdez se deseonlvam dento dos processos educacionais disponíveis numa perspectiva de aprendizagem inclusora.
Objetivando a garantia como direito de uma educação que garanta a formação da pessoa com surdez, em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa, preferencialmente na sua modalidade escrita, constituam línguas de instrução é que o bilinguismo foi legitimado  e aplicado através do dispositivos legais do Decreto 5.626 de 5 de dezembro de 2005, tendo em vista que esse direito garante o acesso às duas línguas de  forma simultânea no ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de todo o processo educativo. Nessa direção não se pode dizer que a língua de sinais é uma garantia de aprendizagem, pois é preciso levar em conta o ambiente em que a pessoa estar inserida, em especial, o da escola comum, uma vez que não lhe oferece condições para que se estabeleçam mediações simbólicas com o meio físico e social. É preciso que o ambiente para esse tipo de aprendizagem possibilite ao educando o desenvolvimento do seu potencial humano.
O texto mostrar que AEE PS traz metodologia vivencial, que possibilita ao aluno uma aprendizagem significativa. Nesse sentido, o professor do AEE PS, tem a oportunidade de construir seu espaço pedagógico para esse aluno, buscando métodos e estratégias de ensino especializado. Logo, a organização didática pedagógica do AEE PS é feita com base na formação do professor e do diagnóstico inicial do aluno com surdez em seguida, o professor elabora o plano AEE PS, envolvendo três momentos didático-pedagógicos: Atendimento Educacional Especializado em Libras; Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa escrita; e o atendimento educacional especializado para o ensino de Libras.
Segundo Damázio e Ferreira (2010) a exigência do aprendizado da Língua Portuguesa pelo aluno com surdez no mesmo tempo e ritmo que os ouvintes,os conteúdos ministrados em língua oral ou só por meio da interpretação de Libras, intérprete de Libras fixo na classe comum, professor do AEE PS, sem qualificação para atuar no ensino das duas línguas, podem ser considerados empecilhos que levam as pessoas com surdez ao fracasso. Assim, os autores apresentam três momentos para o trabalho de AEE PS: Atendimento Educacional Especializado em LIBRAS (diariamente, em horário contrário aos da aula comum); Atendimento Educacional Especializado para o ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA( português escrita, considerada a segunda língua para as PS que acontece na sala de aula multifuncional e em horário diferente ao da sala de aula comum) e o Atendimento Educacional Especializado para o ensino DE LIBRAS( o ensino da Língua de Sinais Brasileira (LIBRAS) realizado preferencialmente por profissionais com surdez).
Entretanto é preciso entender que o estudo de Libras e Língua Portuguesa escrita não deve ser um complemento, mas uma garantia da inclusão dessa abordagem em escolas comuns possibilitando as pessoas com surdez o desenvolvimento de suas potencialidades.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo & FERREIRA, P. J. de. . Educação Escolar da Pessoa com Surdez: Atendimento Educacional Especializado em Construção. 2010. Mimeo.